Cemitérios virtuais guardam a memória, mas podem se transformar em purgatório

Sites de obituários prestam tributo a celebridades e a pessoas comuns e se valem de recursos de redes sociais para crescer.
O facebook é a mais recente mídia social a ter um espaço para lembrar daqueles que já deixaram o mundo real. No virtual, cresce a oferta de sites que prestam homenagem aos que se foram e valem-se dos mesmos recursos que deram vida às redes sociais.
No francês Le Cimetiere, por exemplo, é possível adicionar um defunto, uma fotografia e depositar flores em seu túmulo virtual da mesma maneira que se pode criar um perfil no Orkut, adicionar uma foto no Flickr ou enviar um presente pelo Facebook. O site sobrevive cobrando serviços premium como, por exemplo, envio de SMS comunicando a perda de um ente querido.

A comunicação da viagem sem volta pode ser agendada ainda em vida no Slightly Morbid. Nesse site, o usuário cria uma conta e inclui nome e e-mail daqueles a quem deseja comunicar quando partir.

Outros sites, como o Gone too Soon, abrem espaço para que se possa homenagear quem está hospedado em uma cova virtual. Em muitos desses espaços, a moderação é um serviço pago. Não comprar esses serviços significa dar condição para que também se possa falar mal do falecido. É a idéia de reputação nas redes sociais transformada em uma espécie de purgatório, em julgamento póstumo.

Cada um dos 300 milhões de usuários do facebook teria que deixar a rede um dia, mas o site de relacionamentos anunciou a criação de um espaço dedicado à memória dos usuários que já não acessam mais a rede.

“Quando alguém nos deixa, não sai da nossa memória nem da nossa rede social” escreveu o responsável pela segurança do Facebook, no blog corporativo. Segundo Max Kelly, este será um lugar onde as pessoas poderão guardar e compartilhar as lembranças daqueles que já se foram. Como ele responde pela segurança da rede, garante que os perfis serão privados e será exigida uma prova de que o sujeito realmente morreu. A cópia de um anúncio fúnebre impresso, por ironia, já dá a chave para o ingresso do falecido na sua nova morada.

O Respectance já se adiantou e oferece a possibilidade de vincular uma homenagem ao seu perfil no Facebook, amplificando o tributo para o universo da maior rede social do mundo.

Como não poderia deixar de ser, os cemitérios virtuais estão acessíveis também aos animais de estimação, como é o caso do Projeto Pró-animal. O site cobra R$10,00 para que o usuário plante flores, que murcham em 30 dias, mas ele pode plantá-las novamente, morrendo com mais R$10,00, obviamente.

Um dos mais completos e interessantes é o Campa Virtual, site português que permite vincular a memória do ente querido a um determinado local do mapa de Portugal. Quem registra um túmulo, pode deixá-lo com livre acesso ou restrito apenas aos amigos e familiares. O site oferece demonstração dos tipos de serviços que presta. E permite a inserção de fotos, textos, vídeos, ilustrações animadas e fundo musical. Ao acessar essas páginas de demonstração dos recursos do site português, os usuários são sensibilizados por um fado triste e melancólico. Nada mal para o povo que inventou a saudade.

Fonte: Revista Época por Sérgio Lüdtke

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